Por que insistimos em mudar líderes que não querem mudar?

Coaching

jun 18

Quantas vezes você parou para pensar e escrever sobre os seus estágios de desenvolvimento pessoal e profissional como líder? Permita-se parar e meditar por um momento para identificar quais os estágios que você já percorreu, e em qual se encontra neste exato instante de sua carreira.

No livro “Reinventando as Organizações” do coach, conselheiro e facilitador Frederic Laloux demonstra através de extensas pesquisas em modelos organizacionais emergentes, que a maioria dos colaboradores se sente desvinculado de suas empresas. Não somente pessoas que trabalham no meio corporativo, mas também, médicos, professores e enfermeiros vêm abandonando a profissão em número recorde, pois a forma que hospitais e escolas são dirigidas acabam com as vocações.

Quando parei para analisar os meus estágios de desenvolvimento profissional, verifiquei que já estive em organizações com papéis altamente formais e com uma pirâmide hierárquica de comando e controle de cima para baixo. Estudei em escolas, academia militar e universidade públicas.

Mais tarde ingressei em organizações cujo objetivo era vencer a concorrência para atingir lucros e crescimento. Trabalhando por inovação, responsabilização, meritocracia e gestão por objetivos, com comando e controle no “quê” deve ser feito e com liberdade no “como” deve ser feito.

Atualmente trabalhamos na elevação da maturidade de equipes através de práticas de gestão focadas em valores, empoderamento e cultura organizacional, de forma a observar atentamente o que está ocorrendo de certo e errado na relação com todos os envolvidos no processo na busca de resultados sustentáveis.

Estes e outros estágios são profundamente descritos por Laloux, mostrando que toda a vez que a humanidade muda para um novo estágio de consciência são desenvolvidas e apresentadas novas maneiras de estruturar e gerenciar organizações.

Isso pode explicar o aparecimento de “modismos” e novas abordagens sobre as metodologias de gestão ditas “tradicionais”.

Importante salientar que, você deve verificar se o seu estágio de desenvolvimento está adequado com as tarefas que você tem nas mãos. Qualquer nível de desenvolvimento está bom, pois cada um se adapta melhor a certos contextos, conforme afirma Laloux.

Além disso, pessoas que estão no mesmo estágio podem enxergar o mundo de forma diferente uma das outras, apesar de compartilharem as mesmas características cognitivas, morais ou psicológicas.

Então o que desencadeia a transição de uma pessoa para um estágio de consciência posterior e mais complexo?

De acordo com as pesquisas realizadas pelo autor, o gatilho para o crescimento vertical sempre vem na forma de um GRANDE DESAFIO DE VIDA, aquele que não pode ser resolvido com a visão de mundo atual.

A minha própria experiência de vida comprova esta pesquisa. Ao amadurecer, tentava ignorar alguns problemas me agarrando fortemente a minha visão de mundo existente, pensando em retornar ao estágio anterior, ou buscava uma alternativa mais complexa para resolvê-los passando para outro estágio profissional com a busca de empresas alinhadas aos meus valores.

Passar para um novo estágio é uma grande realização de ordem moral, psicológica e cognitiva. Abrir mão de velhas certezas e explorar uma nova visão de mundo exige coragem. Não é possível obrigar alguém ou alguma organização a fazê-lo.

Ninguém pode ser forçado a evoluir na consciência, tornando difícil a tarefa de coaches e consultores no sentido de ajudar os líderes organizacionais a adotar uma estratégia de mudança mais complexa pelo poder da convicção.

O que está ao nosso alcance é a criação de ambientes que sejam propícios a esse amadurecimento, num contexto mais seguro o suficiente para a exploração de conflitos internos.

O certo é que: ou a empresa e seus líderes acompanham a evolução da humanidade de forma mais consciente e sustentável, ou esperam “sentados” a ocorrência de um grande desafio e o salto para um próximo estágio será abrupto e arriscado.

“Quando você muda a maneira como olha para as coisas, as coisas que você olha mudam.” – Wayne Dyer.

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