Parei de fazer post-mortem nos meus projetos.

Gestão de Projetos

ago 02

Cansei de fazer “autópsia” (post-mortem) em projetos. Depois do projeto terminado, tentar reunir o maior número possível de participantes para fazer uma sessão de “lições aprendidas” provoca um tremendo esforço de mobilização. A consultoria que “se vire”.

A motivação no início de um projeto é muito alta, devido as expectativas positivas se apresentarem maiores que as negativas e neste momento o pensamento coletivo é: O projeto será um SUCESSO! Contudo, esta motivação decresce no meio e volta a aumentar no caminho para o fim. Comporta-se como uma curva motivacional em formato de U.

Ok! Devemos realizar sessões de lições aprendidas ao longo do projeto, como nos orienta as melhores práticas, porém dificilmente realizamos essas sessões no começo do projeto. Já basta a dificuldade de mobilizar os “principais “integrantes do time para realizar o planejamento. Começamos então no MEIO do projeto. Logo no meio, onde a motivação está em baixa? Onde estamos pensando o que fizemos até aqui e qual a probabilidade de chegarmos ao fim planejado?

Por isso aproveito o encontro do planejamento para fazer sessões de PRE-MORTEM. Pensar logo no início que o projeto irá FRACASSAR. Este tipo de sessão durante o planejamento é parecido com o levantamento de riscos, mas a abordagem PRE-MORTEM é muito mais IMPACTANTE.

Projetos falham a uma taxa espetacular. Uma razão é que muitas pessoas envolvidas e às vezes “escondidas”, relutam em falar sobre suas “reservas” de possíveis “fracassos “durante a importantíssima fase de planejamento. Normalmente conhecidas por “criar dificuldades para vender facilidades”.

Este tipo de abordagem melhora as chances de sucesso de um projeto, pois apresenta uma abordagem mental chamada de RETROSPECTIVA PROSPECTIVA.

Pesquisa realizada em 1989 por Deborah J. Mitchell, da Wharton School; Jay Russo, da Cornell; e Nancy Pennington, da Universidade do Colorado, descobriu que a retrospectiva prospectiva – imaginar que um evento já ocorreu – aumenta a capacidade de identificar corretamente razões para resultados futuros em 30% (Klein, Gary. “Performing a Project Premortem”. HBR – Set 2007).

Um pre-mortem é o hipotético oposto de um post-mortem. Um post-mortem em um ambiente médico permite que os profissionais de saúde e a família aprendam o que causou a morte de um paciente. Todos beneficiam, exceto, claro, o paciente.

O pre-mortem funciona baseado na suposição de que o “paciente” morreu e, portanto, pergunta o que deu errado. A tarefa dos membros da equipe é gerar razões plausíveis para o fracasso do projeto, sem medos e julgamentos.

Embora muitas equipes de projeto participem da análise de risco no planejamento inicial, a abordagem retrospectiva prospectiva do pre-mortem oferece benefícios que outros métodos não oferecem. Só a ideia de que não buscaremos “os culpados“ pelo fracasso do projeto já vale o exercício.

Por isso, parei de fazer post-mortem, até porque, do meio para o fim do projeto a curva de desmobilização é acentuada e “sobra” sempre para o gestor realizar sessões de lições aprendidas somente entre ele e o “bem pago” consultor.

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